segunda-feira, 29 de dezembro de 2025

MINISTROS DO STF NÃO PODE TER COMPORTAMENTO ANTI ÉTICO! - Artigo: janeiro/2026


Nenhum poder da república em um país democrático pode se considerar sem limites. Todo os três poderes: Executivo, Legislativo e Judiciário, precisam respeitar seus limites constitucionais e cumprir suas funções previstas na Constituição sem  cometer excessos, respeitando seus limites. Infelizmente essa regra constitucional não tem sido cumprida e o choque entre os três poderes da república tem colocado em risco a nossa jovem democracia. 

Entendo que instituições sérias precisam ter regras claras, ética implícita e atitudes transparentes evitando abusos e a concentração de autoridade, garantindo assim o equilíbrio e a liberdade na democracia. Baseado nesse entendimento, me preocupa o fato de que se constata nas pesquisas de opinião uma enorme insatisfação da população com o que acontece no STF. Os ministros Toffoli, Moraes e Gilmar, no meu entender, são os grandes responsáveis por terem levado a imagem do STF ao fundo do poço do descrédito popular. 

Uma República com uma suprema corte desacreditada passa o sentimento de insegurança institucional. Entendo que se a justiça cai no descrédito da sociedade a república é seriamente afetada em razão da democracia cair junto! 

A tempos venho manifestando o meu ponto de vista contrário a escolha de pessoas para ocupar uma cadeira de ministro da suprema corte que possua uma relação estreita de amizade com aquele que o indica, o presidente da república, por entender não ser adequado e ético ter um poder da república neutralizado pelo fato de sua maioria decidir claramente afinado com a tendência política do presidente da república. A quebra da harmonia e independência dos poderes fica evidente e compromete o processo democrático.

Esse escândalo trazido ao conhecimento da sociedade pela jornalista Malu Gaspar, evidencia um inaceitável escândalo, um fragrante abuso de poder envolvendo a imagem de dois ministros da suprema corte do Brasil:  Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, colocando-os sob suspeita de tentar ajudar o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, junto ao Banco Central. 

Essa inaceitável interferência dos ministros Moraes e Toffoli não pode ficar sem a devida e necessária apuração da Procuradoria Geral da República, do Senado Federal e do Supremo Tribunal Federal, poder da república envolvido no escândalo que enfrenta um alto índice de descrença popular. 

Entendo ser muito grave esse lamentável episódio que fragiliza a imagem do STF. O comportamento, nesse caso específico do Banco Master,  dos ministros Moraes e Toffoli,  não condiz com o cargo de um ministro do STF destoando totalmente de suas funções ao se colocarem sobre suspeita de praticarem advocacia administrativa a favor de um banco cujos os escritórios de suas esposas tem ligações profissionais com prestação de serviços jurídicos. Fica evidente o inadequado comportamento anti ético!!!

A sociedade espera e merece uma apuração urgente e rigorosa dos poderes federais que cabem se manifestar!

Esse é o meu ponto de vista!


Amaury Cardoso

Graduação em Física, Pós Graduação em Gestão Pública, Pós Graduação em Políticas Públicas e Governo, Pós Graduação - MBA em Marketing, Comunicação, Planejamento e Estratégia em Campanhas Eleitorais, Especialização em Política e Estratégia, Especialização em Ciências Políticas.

terça-feira, 9 de dezembro de 2025

A DEMOCRACIA SE FORTALECE COM LIBERDADE E TRANSPARÊNCIA - Artigo: dezembro/2025


Ao longo de cinco décadas de minha militância política e dos meus estudos sobre a ciência da política, diante de tudo que ela abrange em seus múltiplos níveis, não tenho dúvida em afirmar que a concentração de poder é inevitável, mesmo entre os que se consideram democratas e defendem a democracia. Para mim é um fato a afirmação do sociólogo e cientista político Robert Michels ao declarar que a democracia leva inevitavelmente à oligarquia e contém, em si, o seu próprio princípio de negação. Temos diversos exemplos que confirmam essa afirmação.

Entendo que a democracia se fortalece com liberdade e transparência. A defesa da democracia não se faz com censura, mesmo sob a alegação do Estado Democrático de Direito. O direito à liberdade não está garantido quando há vigilância e perseguição ao direito de expressar ideias e opiniões. Em uma democracia todo poder precisa atuar e respeitar o seu limite, e o limite é definido e imposto pela Constituição. Qualquer ato de poder cometido que contrarie a Constituição, pode ser considerado como uma forma de autoritarismo. 

O processo político e as relações de poder nos revelam que o poder político concentra sua influência e liderança e o monopólio da representação através de fortes vínculos financeiros e uma simbiose bem construída com os veículos tradicionais que concentra o poder da comunicação/informação. Essa aliança, com raras exceções, leva o representante político a se distanciar ou até romper com a base popular que diz representar. Daí a relevância crescente, mesmo diante dos casos de desinformação e fake News, da comunicação através das redes sociais, que ameaça essa perigosa simbiose. A meu ver, essa é a razão do profundo enfraquecimento da democracia representativa!

Atravessamos um momento extremamente delicado na política brasileira devido aos conflitos entre os três poderes da república, Executivo, Legislativo e Judiciário, conflito esses que colocam em risco a nossa jovem democracia brasileira. Me chama a atenção os avanços do poder judiciário sobre competências definidas constitucionalmente a outros poderes. Entendo que o poder judiciário não deve tomar ou expressar posição política, e sim se posicionar com independência e parcialidade, sempre em obediência a Constituição, o que a meu ver não vem ocorrendo. A Suprema Corte Federal - STF, está caminhando para a autocracia, e esse meu entendimento se baseia no fato de que a alguns anos o poder executivo federal, a quem cabe indicar a composição do STF, vem realizando indicações de pessoas com claro vínculo pessoal e/ou político do mandatário da nação de plantão. Para mim fica evidente a intenção de aparelhar e interferir nas decisões da suprema corte. Nenhum presidente da república é eleito para isso, ou seja, ter influência política sobre membros da alta corte do país.

Vivemos uma escalada de decisões monocráticas, restrições de fala e de perseguições pelo simples ato de discordar que vem destoando do real sentido do poder judiciário, que deveria ser o respiro institucional do país, passou a ser palco de disputas políticas, decisões monocráticas intermináveis e interpretações elásticas da Constituição. Esse grande poder está concentrado em poucas mãos, que coloca em jogo o futuro da própria democracia. Em um país onde opiniões geram processos, em que investigações são abertas com base em interpretações subjetivas e em que criticas ao governo viram justificativas para acusações, deixam claro que a liberdade perde às bases que a sustentam. A democracia é medida pela capacidade do cidadão comum de falar sem medo. 

Finalizo destacando uma afirmação do ex-ministro do STF, Marco Aurelio: O Brasil atravessa um momento político delicado no momento em que o poder se move sem limites claros, onde a justiça é usada como escudo político e onde os freios institucionais se afrouxaram de forma perigosa. Se a democracia é realmente sólida, por que até opiniões viraram alvo de punição   ! 

O supremo tribunal federal precisa deixar de exercer papel político, que não lhe é garantido pela Constituição, e passar a exercer o seu papel institucional, atuando em sintonia com a constituição sem se deixar levar por questões pessoal.


Amaury Cardoso

Graduação em Física, Pós Graduação em Gestão Pública, Pós Graduação em Políticas Públicas e Governo, Pós Graduação - MBA em Marketing, Comunicação, Planejamento e Estratégia em Campanhas Eleitorais, Especialização em Política e Estratégia, Especialização em Ciências Políticas.

Divisão na Direita e Vaidade Política: Escolha de Flávio Bolsonaro Pode Garantir Reeleição de Lula, diz o Analista Politico Amaury Cardoso.



A vaidade política, segundo o analista político Amaury Cardoso, parece ter atropelado a razão dentro da família Bolsonaro. Com medo de perder o protagonismo que o sobrenome ganhou ao longo dos últimos anos, a estratégia do clã teria sido manter inegociável a ideia de lançar um candidato presidencial que carregue o nome Bolsonaro — mesmo que isso não represente o melhor caminho político para a direita.

A escolha de Flávio Bolsonaro como potencial candidato à Presidência, defendida internamente pela família, tem provocado ruídos nos bastidores. Para Amaury Cardoso lideranças políticas tradicionais, especialmente aquelas contrárias à reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva, o nome do senador não empolga, não agrega e, principalmente, não inspira confiança como alternativa viável.

Flávio, apesar de ocupar posição de destaque no cenário nacional, não teria a força necessária para unir os diferentes segmentos da direita. Seus adversários internos consideram que ele não possui o carisma, a habilidade e a capilaridade para coordenar um movimento amplo contra o atual governo. Com isso, o campo da direita caminha para uma eleição fragmentada, enfraquecendo qualquer possibilidade de construir uma candidatura única e competitiva.

O centro político, por sua vez, também se movimenta em busca de outros nomes. Sem encontrar viabilidade nem no bolsonarismo nem em lideranças mais radicais da direita, partidos de centro avaliam alternativas que possam dialogar com diferentes setores da sociedade, afastando-se da polarização extrema que marcou as últimas eleições.

A falta de consenso em torno de Flávio Bolsonaro é vista como reflexo direto de um projeto familiar que se sobrepõe a uma estratégia política ampla. Essa insistência, segundo analistas, cria um cenário que tende a facilitar a vida de Lula. Com uma direita dividida e um centro igualmente disperso, a reeleição do atual presidente se torna cada vez mais provável — quase um caminho natural, pavimentado pela desorganização dos seus opositores.

“A escolha do senador Flávio Bolsonaro como candidato a presidente está longe de obter consenso no campo da direita e do centro. Portanto, não aglutina. Essa decisão, praticamente, assegura a reeleição do presidente Lula”, afirma Amaury Cardoso, autor da análise.

Para ele, a conclusão é clara: quando a vaidade fala mais alto que a estratégia, o resultado costuma ser previsível — e, neste caso, favorável ao adversário.



Amaury Cardoso
Especialista em Ciência Política

terça-feira, 18 de novembro de 2025

O PODER DO LIVRE-ARBÍTRIO: A ESSÊNCIA DA DIGNIDADE HUMANA E DA JUSTIÇA DIVINA - Artigo: Novembro/2025


O livre-arbítrio sempre foi um dos pilares mais profundos da compreensão humana sobre responsabilidade, escolha e fé. Segundo Amaury Cardoso, essa capacidade de decidir conscientemente é mais do que uma simples liberdade: é uma consequência direta da justiça de Deus e o fundamento da dignidade que distingue o ser humano de todas as outras criaturas.

Para Amaury, o livre-arbítrio não é apenas uma dádiva, mas uma força que molda o valor das relações humanas. Ele afirma que “a estima dos homens uns pelos outros se dá em razão do livre-arbítrio”, ressaltando que a sociedade tende a desprezar aquele que, por algum motivo, perde sua autonomia de escolha. Nesse entendimento, a liberdade de decidir não é apenas uma condição espiritual, mas também social, influenciando a forma como cada indivíduo é visto e respeitado.

A ausência dessa liberdade, completa Amaury, transforma o ser humano em um agente sem responsabilidade moral. Sem livre-arbítrio, não há culpa pelo mal cometido, nem mérito pelo bem praticado. Essa perspectiva reforça a ideia de que o valor ético das ações humanas está diretamente ligado à capacidade de escolher entre caminhos distintos — e assumir as consequências dessas escolhas.

Seu posicionamento traz uma reflexão importante para tempos em que a autonomia, a consciência e a responsabilidade individual são cada vez mais debatidas. Ao afirmar que o livre-arbítrio nos “eleva acima de outras criaturas”, Amaury destaca que é essa liberdade que nos permite construir caráter, evoluir espiritualmente e exercer plenamente nossa humanidade.

Em suas palavras claras e firmes, ele resume sua convicção: “Esse é o meu ponto de vista.” Uma reflexão poderosa que convida todos a pensarem sobre o valor das escolhas que definem nossas vidas.


Amaury Cardoso
Graduação em Física, Pós Graduação em Gestão Pública, Pós Graduação em Políticas Públicas e Governo, Pós Graduação - MBA em Marketing, Comunicação, Planejamento e Estratégia em Campanhas Eleitorais, Especialização em Política e Estratégia, Especialização em Ciências Políticas.

domingo, 12 de outubro de 2025

O QUE TENHO APRENDIDO EM MEUS ESTUDOS SOBRE O ESPIRITISMO. - Outubro/2025.



“A religião terá sempre a ganhar em seguir o progresso das ideias; se ela, às vezes, corre perigo é porque os homens avançaram e ela teria ficado para trás.”

Qual é o maior inimigo da religião? O materialismo, pois este nada crê. Ora, o Espiritismo é a negação do materialismo, o qual não tem mais razão de ser.

Início com a afirmação de que cada um é perfeitamente livre de crer no que agrada, ou de não crer em nada. Durante meus anos de estudo e observações sobre a doutrina espírita, posso afirmar que o Espiritismo não se impõe, ele respeita a liberdade de consciência. Entendo que qualquer crença imposta é superficial e só tem as aparências de fé, mas não a fé sincera.

O Espiritismo, como muitos acham, não nega a existência de Deus, da alma, de sua individualidade e de sua imortalidade, dos sofrimentos e das recompensas futuras, do livre-arbítrio do homem. O Espiritismo proclama um Deus único, soberanamente justo e bom, afirmando que o homem é livre e responsável pelos seus atos , recompensado ou punido segundo o bem ou o mal que cometeu. 

O Espiritismo tem por finalidade combater a incredulidade e suas funestas consequências, fornecendo provas patentes da existência da alma e da vida futura. Ele se dirige àqueles que em nada creem ou que duvidam. As pessoas que possuem uma fé religiosa, e a quem essa fé basta, não precisam dele. Aos que afirmam que “crê na autoridade da Igreja e se atem ao que ela ensina, sem nada procurar além disso”, o Espiritismo responde que não se impõe a ninguém e não vem forçar convicção alguma.

A liberdade de consciência é uma consequência da liberdade de pensar, um dos atributos do homem. O Espiritismo estaria em contradição com seus princípios de caridade e de tolerância se não a respeitasse. A seus olhos, toda crença, quando é sincera e não procura fazer mal ao próximo, é respeitável, mesmo que esteja errada.

O Espiritismo é, antes de tudo, uma ciência e não se ocupa das questões dogmáticas. Essa ciência tem consequências morais, como todas as ciências filosóficas.

O Espiritismo está fundado na existência de um mundo invisível, formado de seres incorpóreos que povoam o espaço e que outros não são senão as almas daqueles que viveram sobre a terra ou em outros globos, onde abandonaram seu invólucro corporal. É a esses seres que é dado o nome de Espíritos. Eles nos rodeiam sem cessar, exercem sobre os homens, e sem o conhecimento destes, uma grande influência. Representam um papel muito ativo no mundo moral e até certo ponto no mundo físico. O Espiritismo está, portanto, na própria natureza e pode-se dizer que, em uma certa ordem de ideias, é uma força. 

Por fim, entendo que o Espiritismo está ligado essencialmente às ideias religiosas. Ele amplia e eleva as ideias, combate os abusos engendrados pelo egoísmo, a cupidez, a ambição.  A ignorância dos princípios fundamentais é a causa das falsas apreciações da maior parte daqueles que exercem julgamento sobre o que não compreendem, ou de acordo com suas ideias preconcebidas!


Amaury Cardoso 

@cardosoamaury 

www.amaurycardoso.blogspot.com.br

sábado, 6 de setembro de 2025

PODERIAM ALGUNS AJUSTES NAS INSTITUIÇÕES REPRESENTATIVAS RESTAURAR A CONFIANÇA NELAS? - Artigo: setembro/2025


A democracia é um fenômeno histórico. Desenvolveu-se em condições específicas e sobreviveu em alguns países à medida que essas condições evoluíam, mas será capaz de sobreviver em quaisquer circunstâncias?

Muito se tem falado na crise da democracia, minhas observações e pesquisas sobre esse tema me levaram a certeza de que na realidade, a participação eleitoral está em declínio em muitos países, atingindo níveis jamais vistos. A confiança nos políticos, nos partidos, nos parlamentos, nos governos e nas instituições vem diminuindo ao ponto, no meu entender, de enfraquecer a democracia como sistema de governo. Os sinais visíveis de que a democracia está em crise ficam claros na perda súbita de apoio aos partidos estabelecidos, diminuição da confiança popular nas instituições democráticas e nos políticos, conflitos explícitos sobre instituições democráticas e na incapacidade de os governos manterem a ordem pública e impedir o seu colapso sem utilização da repressão.

Adam Prezeworski, professor de política e economia e estudioso da democracia, entende que a probabilidade de uma democracia ruir diminui rapidamente à medida que o país acumula a experiência de alternâncias pacíficas no cargo como resultado de eleições. Entendo que há sinais de que podemos estar vivendo uma crise no sistema democrático em virtude de alguns fatores que estamos presenciando, a exemplo: I- o rápido desgaste dos sistemas partidários tradicionais; II- o avanço de partidos e atitudes xenofóbicas, racistas e nacionalistas e III- o declínio no apoio à democracia em pesquisas de opinião pública.

Os sinais que aponto acima estão embasados no fato da ocorrência do aumento do número efetivo de partidos desde o começo dos anos 1980, com uma tendência de alta nos últimos anos. Esse fato revela que os sistemas partidários tradicionais estão desmoronando, o que atribuo a um velho e enrijecido sistema partidário que não se atualiza com a nova realidade social. Cabe destacar que muitos dos partidos emergentes se apresentam como “antisistema”, ‘antiestablishment” ou “antielite”. São populistas na medida em que a imagem que projetam da política é a de uma elite que atrai, abusa e explora pessoas. Essa imagem populista da política está associada a rejeição da democracia representativa.

Outro sinal relevante se percebe no fato de que as opiniões políticas ficaram mais polarizadas, com eleitores deslocando-se para os extremos, talvez em razão dos partidos tradicionais terem perdido contato com seus apoiadores. As pessoas, quando entendem que todos os políticos profissionais são a mesma coisa, egoístas, desonestos ou corruptos, se viram contra eles, estejam à esquerda, à direita ou no centro. Cabe destacar que pesquisas recentes apontam para o fato de quê cerca de dois terços dos entrevistados acreditarem que “os políticos são corruptos e que eles atuam em defesa de seus interesses pessoais ou de grupos”. Daí surge nas pessoas o sentimento de decepção, aversão, raiva e indiferença. Esse crescente sentimento tem sido responsável pelo relevante percentual de abstenção eleitoral. Resta saber se essa crescente rejeição aos partidos e aos políticos é apenas um fenômeno transitório ou duradouro. Entendo ser difícil afirmar até que ponto as recentes transformações políticas vêm da insatisfação geral a partidos e a políticos, bem como o tempo que esse sentimento irá permanecer! Afinal, “o povo”, que muitos atribuem a uma entidade no singular, não existe; o que existe são pessoas, no plural, com interesses, valores e padrões diferentes.


Amaury Cardoso

Graduação em Física, Pós Graduação em Gestão Pública, Pós Graduação em Políticas Públicas e Governo, Pós Graduação - MBA em Marketing, Comunicação, Planejamento e Estratégia em Campanhas Eleitorais, Especialização em Política e Estratégia, Especialização em Ciências Políticas.

domingo, 27 de julho de 2025

O REAL COMBATE A POBREZA VAI ALÉM DE PROGRAMAS SOCIAIS! - Artigo: agosto/2025


Entendo não ser verdadeira a afirmação de que a solução para resolver a pobreza esteja condicionado no crescente aumento de impostos. Um estudo recente que foi revelado pelo Fundo Monetário Internacional - FMI, constata que o Brasil está empobrecendo. Busquei conhecer o conteúdo desse trabalho e após analisar dados e gráficos fiquei assustado com as evidências no meu entender incontestáveis que confirmam o crescente empobrecimento da população brasileira.

Esse crescimento assustador da ´pobreza em nosso país coloca o Brasil na octogésima sétima posição, ou seja, bem próximo da metade do ranking dos países mais pobres do mundo por renda perca pita. O curioso é que este crescimento da pobreza da população brasileira ocorreu com mais intensidade nos últimos trinta anos.

O estudo deixa claro que as principais causas desse empobrecimento são em decorrência dos longos anos de estagnação econômica, em virtude de baixíssimos investimentos públicos em infraestrutura, deficiência no atendimento dos serviços básicos, adoção de políticas públicas ineficazes, gastos públicos excessivos e a baixa qualidade da educação pública.

Cabe ressaltar que os presidentes que governaram o Estado brasileiro, entre as variadas siglas partidária e matizes ideológica, tiveram suas parcelas de responsabilidade, omissão por conveniência e negligência e incompetência de gestão que permitiram o Brasil retroceder no seu desenvolvimento econômico e social. Cabe, também, destacar que a parcela maior da responsabilidade do trágico empobrecimento da população brasileira se deve ao governante/partido que por mais tempo governou o Brasil nos últimos trinta anos.

Durante os anos de 2003 a 2025, o PT governou por 17 anos, sendo que 14 anos, 2003 à 2016 (14 anos consecutivo) e 2023 à 2025. O MDB governou por 2 anos (2017 e 2018). O PL  governou por 4 anos (2019 à 2022). Então temos: No período compreendido entre 2003 a 2025, portanto durante 23 anos, o Brasil foi governado 17 anos pelo PT (Lula e Dilma), 2 anos pelo MDB (Michel Temer) e 4 anos pelo PL (Jair Bolsonaro).

Diante desses dados, fica claro que o partido que mais levanta a bandeira do fim da pobreza, embora tenha implantado mais programas sociais, foi o que mais teve tempo de governo para realizar reformas estruturantes fundamentais no campo do desenvolvimento econômico, humano e social, porém não as realizou.

Importante, também, salientar que durante esses últimos 23 anos (2003 à 2025) o Brasil teve bons índices de arrecadação devido a política de aumento de impostos, porém isso não se reverteu em melhoria dos serviços básicos fundamentais para garantir a melhoria da qualidade de vida da população em razão da ineficiência da gestão dos recursos públicos e na eficácia da sua aplicabilidade. Contudo, em contrapartida teve aumento de gastos públicos que se revelaram ineficientes e ineficazes no que tange a colocar o nosso país em um melhor patamar no índice de desenvolvimento econômico, humano e social.

Pelos dados que colhi e na leitura que fiz do estudo apresentado pelo FMI, o crescimento ao ano dos gastos públicos pelos presidentes que governaram o Brasil entre o período de 1999 à 2024, são os seguintes: FHC (1999 – 2002), com crescimento real de gastos de 5,0% ao ano. Lula (2003 à 2006), crescimento real de gastos ao ano de 6,1%. Lula (2007 à 2010), crescimento real de gastos ao ano de 9,8%. Dilma (2011 à 2014), crescimento real de gastos ao ano de 4,0%. Dilma (2015 e 2016), crescimento real de gastos ao ano de 0,4%. Michel Termer (2016 a 2018), crescimento real de gastos ao ano de 0,5%. Jair Bolsonaro (2019 à 2022), crescimento real de gastos ao ano de 3,1% e, por fim, Lula (2023 – 2024), crescimento real de gasto ao ano de 9,2%.

Diante dos fatos apresentados, baseados no recente estudo elaborado pelo FMI, fica evidente que a solução para resolver a crescente pobreza em nosso país não está na adoção de constantes aumento de impostos. O estudo, ao contrário, deixa claro a ineficiência de gestão, a irresponsabilidade com os elevados e ineficazes gastos públicos e a omissão e falta de sensibilidade com a crescente desigualdade social que arrasta milhões de brasileiros para a marginalidade social imposta pela pobreza.

Esta triste realidade brasileira é direta dos governantes que ocuparam a cadeira de presidente da República nos últimos 30 anos, é claro que uns com maior parcela de responsabilidade que outros em razão dá proporção de seu maior tempo a frente do exercício da presidência.

Entendo que a pobreza não se combate com programas sociais. Pobreza se combate com forte investimentos em infraestrutura, com controle e diminuição de gastos muitas das vezes mal planejados e superfaturados, com eficácia de políticas públicas sociais e com efetiva e profunda melhoria na educação em todos os níveis de ensino.

Infelizmente o caminho a percorrer para se alcançar o desenvolvimento econômico e social não é novidade, estudos realizados por instituições sérias estão disponíveis, porém curiosamente são utilizados por todos em discursos de campanha eleitoral, mas não é posto em prática, e com isso a esperança de solução se perde e a credibilidade da população em relação a classe política se torna baixíssima.

Amaury Cardoso

Graduação em Física, Pós Graduação em Gestão Pública, Pós Graduação em Políticas Públicas e Governo, Pós Graduação - MBA em Marketing, Comunicação, Planejamento e Estratégia em Campanhas Eleitorais, Especialização em Política e Estratégia, Especialização em Ciências Políticas.

sábado, 28 de junho de 2025

QUANDO O ESTADO NÃO CONSEGUE RESOLVER OS PROBLEMAS QUE AFETAM O BEM ESTAR DA SOCIEDADE, A DEMOCRACIA ESTÁ EM CRISE! - Artigo: julho/2025


Nos últimos anos tenho percebido e destacado em meus artigos e palestras o crescimento da perda de credibilidade na elite politica que tem levado a uma queda constante na democracia representativa em razão da perda de confiança na classe política.

Esse perceptível pessimismo e desconfiança da sociedade em relação a classe política se dá pelo fato das respostas as demandas e necessidades básicas das pessoas não estarem sendo cumpridas a contento pela elite politica que recebeu a sua  outorga para dar resposta de solução.

As pessoas creem, mesmo frustadas e decepcionadas com o deficiente atendimento do Estado em entregar o que querem, que o poder do Estado é capaz de dar respostas às suas necessidades. Contudo, em razão dessa deficiência em entregar serviços necessários a sua melhoria de qualidade de vida, começam a se cansar e se decepcionar com a democracia. Arrisco afirmar que a sociedade atribui a negação do Estado em resolver seus problemas ao fato da clara ineficiência e corrupção na máquina pública somadas a falta de compromisso da grande maioria dos políticos, seus “representantes “. 

Diante do exposto acima, é fato que  há uma profunda desconfiança da sociedade com as instituições tradicionais, e em especial com o sistema político vigente, o que me leva a percepção de que a politica democrática tradicional terá muita dificuldade para superar essa corrosão da democracia representativa. Cabe destacar o fato da nossa cultura democrática nunca ter sido muito sólida, foi aberta uma atual polarização política entre os extremos esquerda e direita que deve ser contida, e para que isso possa acontecer é preciso aparecer uma alternativa confiável para a sociedade no campo de centro político. 

Quando o Estado não consegue resolver os problemas que afetam o bem estar da sociedade, a democracia está em crise! O cientista político Sergio Abranches em trecho de seu artigo “O Congresso dos Lobbies” faz um alerta, do qual eu concordo plenamente,  onde afirma que a sociedade brasileira está diante de um parlamento que promove alianças com o objetivo de promover pactos de sobrevivência e os projetos de país evaporam diante da lógica da troca miúda e do favor institucionalizado. Parlamento transvertido de representação popular, sequestrados por forças que formam maioria, não para o bem comum da sociedade, mas para proteger capitanias eleitorais, empresas encalacradas nos gabinetes do legislativo e impérios econômicos que operam nos bastidores do poder politico nas três instâncias do poder do Estado como se essas instituições fossem extensão de seus escritórios.

Concluo reiterando minha preocupação com a crescente crise de credibilidade da democracia representativa que tem levado a desmoralização do poder legislativo junto ao cidadão eleitor. O que se percebe claramente é que os políticos colocam seus pequenos interesses acima da integridade das instituições e esse fato deixa claro que as instituições representativas tradicionais passam por uma crise, fato que ocorre em vários outros países, em especial no Brasil. Ao fazermos uma análise dos processos eleitorais, em especial nas últimas duas décadas, o que se percebe é que as pessoas na maioria das vezes passaram a constatar que seu voto não traz o resultado almejado, não provoca grandes mudanças, ou seja, o governo muda, contudo sua vida continua a mesma. Essa constante frustração tem provocado nas pessoas a decisão de se apegarem a qualquer ilusão fazendo com que passem a serem vítimas fáceis do populismo político que se utiliza de promessas impossíveis de serem cumpridas e apresentar soluções mágicas, cuja a constância desse ciclo tem provocado consequências negativas que estão causando perigo para a jovem democracia brasileira.

Esse é o meu ponto de vista!


Amaury Cardoso

Graduação em Física, Pós Graduação em Gestão Pública, Pós Graduação em Políticas Públicas e Governo, Pós Graduação em Marketing, Comunicação, Planejamento e Estratégia em Campanhas Eleitorais, Especialização em Política e Estratégia, Especialização em Ciências Políticas.

MINISTROS DO STF NÃO PODE TER COMPORTAMENTO ANTI ÉTICO! - Artigo: janeiro/2026

Nenhum poder da república em um país democrático pode se considerar sem limites. Todo os três poderes: Executivo, Legislativo e Judiciário, ...