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POR UMA EDUCAÇÃO DECENTE. (FEV/2008)

PONTO DE VISTA.

POR UMA EDUCAÇÃO DECENTE.


Não é nenhuma novidade a afirmação de que sem investimento maciço em educação é impossível o desenvolvimento social. Os países que tem hoje os maiores índices de qualidade de vida, ou seja, um IDH elevado são os que levaram a sério essa premissa. A valorização dos professores com um salário digno, o respeito aos alunos com uma rica grade curricular e um forte conteúdo programático, além de escolas em regime integral, são, em nosso entender, pré-requisitos fundamentais, necessários para recuperarmos o atraso em que se encontra o ensino em nosso município. O povo deve acreditar na educação como uma referência para a transformação econômica e social de uma nação.

No município do Rio de Janeiro está estabelecido o total desrespeito a tudo o que representa uma educação decente. Estamos despejando no ensino médio alunos semi-analfabetos em sua grande maioria, graças à chamada aprovação automática, os ciclos no ensino fundamental e a incompetência e desinteresse do executivo municipal.

As escolas municipais estão isoladas na sua deseducação, pois, as escolas particulares mantêm o sistema de séries. A diferença é colossal. Os governantes, políticos, professores e gestores da educação que defendem esse tipo de formação nas escolas municipais colocam seus filhos nas escolas particulares. São uns irresponsáveis, querem que os filhos de uma grande parcela da população, que não podem pagar por um ensino de qualidade, fiquem sem acesso a uma boa formação básica.

Este ano, em que teremos eleições municipais, devemos enfrentar essa questão de forma direta e objetiva elegendo um prefeito comprometido com mudanças, principalmente com a restauração de uma verdadeira escola em tempo integral, pois, desse compromisso depende o futuro de nossos filhos e a formação de uma sociedade esclarecida. O município do Rio de Janeiro precisa resgatar a denominação de capital cultural do país, memória que muito nos orgulha, perdida em razão do retrocesso a que fomos submetidos.

O que assistimos hoje é um crime contra os profissionais da educação, que são obrigados a obedecer a um sistema que não tem nenhum compromisso com a qualidade do ensino, vivendo de estatísticas quantitativas maquiando a falência qualitativa do ensino público. Os nossos alunos, crianças vítimas da indiferença dos “responsáveis” pela educação que os vêem apenas como dados numéricos a serem usados em seus discursos demagógicos.

A educação de qualidade é fator primordial para o desenvolvimento de uma nação, é direito de todo cidadão. Pressionar o poder público, os responsáveis pela educação, para que haja seriedade e compromisso com a melhoria do sistema é dever da sociedade, é nosso dever.

Por quanto tempo suportaremos os descasos de um governo, que além das questões levantadas no campo da educação, nos força a conviver com a ausência de outros serviços essências, com o desrespeito e a insensibilidade de um executivo municipal que demonstra o seu desinteresse e falta de vontade política na busca de soluções para questões cruciais que nos afligem no dia a dia, como: a carência extremada da saúde, a desordem urbana, a degradação do meio ambiente, a favelização (em áreas de preservação ambiental) crescente em razão da inexistência de uma política habitacional.

A eleição que se aproxima nos oferece a oportunidade de barrar, como denominei em meu artigo anterior, este ciclo nefasto.




Amaury Cardoso
amaurycardosopmdb@yahoo.com.br
Para conhecer artigos anteriores, acesse: http://www.amaurycardoso.blogspot.com/


PS. O senador da educação, Cristóvão Buarque, em artigo desatacou a importância política do movimento realizado pelos abolicionistas, e comparou o trabalho isolado que vem sendo realizado por alguns ilustres brasileiros em prol do fortalecimento do ensino básico, chamando a atenção para a importância do acesso a educação de qualidade para todos, denominando-os “educacionistas”. Cabe a cada um de nós sermos um crítico contundente contra o descaso e a falta de investimentos na educação pública. Com essa atitude estaremos engrossando o grupo dos “educacionistas”.