PONTO DE VISTA
CONJUNTURA GLOBAL, E OS NOVOS RUMOS PARA O BRASIL.
Diante do cenário que se apresenta em razão da crise global atual, fica clara a alteração no jogo do poder na primeira década do século XXI, onde verificamos o visível enfraquecimento dos Estados Unidos e da Europa na correlação de forças no campo político e econômico mundial, em que países desenvolvidos e em desenvolvimento discutem saídas e alternativas para o futuro em igualdade de condições, fazendo com que acelere a abertura de espaço para os países emergentes, principalmente a China, mas também o Brasil que soube construir um modelo próprio conciliando o mercado com políticas de redução da desigualdade, vantagens que dão solidez política e macroeconômica mantendo o mercado interno aquecido.
No entanto, para consolidar a ascensão do Brasil a um lugar de destaque no centro de poder mundial não podemos permanecer estagnados, com avanço lento, no desenvolvimento da ciência, tecnologia e energia, fatores imprescindíveis para assegurar a soberania.
A história, a política e a economia são sempre insinuantes. Não há uma linha reta capaz de explicar os acontecimentos. Foi o ganho tecnológico que mudou tudo. Não existe mais um produto exclusivamente brasileiro ou norte-americano. Existe uma tendência e um convite recorrente em favor da integração mundial, a globalização, isto é, a internacionalização que se metamorfoseou. Os fatos indicam que este é o momento. O futuro é hoje.
Entretanto, alguns países de dimensões continentais, como o Brasil, são incapazes de fazer o salto completo da integração, embora efetivamente possua recursos internos necessários para escapar do fenômeno mais cruel a “quarteirização”, que conduz a pobreza desesperançada.
A sociedade contemporânea, particularmente nas últimas duas décadas, presenciou fortes transformações, desestruturando, o Terceiro Mundo e eliminando do mapa os países pós-capitalistas do Leste Europeu. E, enquanto se avança na competitividade intercapitalista, quanto mais se desenvolve a tecnologia concorrencial, maior é a desmontagem de inúmeros parques industriais, com repercussões arrasadoras no enorme contingente de força humana de trabalho presente nestes países, de tal intensidade que levam mais de um bilhão de pessoas a se encontrarem atualmente ou exercendo trabalhos terceirizados ou estando inteiramente “excluídos”.
Essa lógica destrutiva, da crise do trabalho coloca como desafio resgatar o sentido de classe.
Hoje todas as nações de alta tecnologia sofrem as conseqüências da colisão do “momentum” atual e as economias e instituições estão obsoletas, incrustadas no ontem. Entender isso é o segredo para deslucidar grande parte do conflito político e social que vemos a nossa volta.
A ascensão da economia supersimbólica nos compele a reconceituar toda a problemática do desemprego, porque a grande divisão mundial, hoje, é entre aqueles que produzem idéias, os que têm produção industrial, os que sobrevivem dos produtos agrícolas e aqueles que não produzem nada. O que cria o poder não é ter somente as fábricas, mas laboratórios nas universidades, pesquisadores, artistas, entre outros. Os países que não estiverem preparados para produzir intelectualmente serão destinados a ser apenas consumidores de idéias.
No Brasil, a sociedade se questiona se a globalização é um bem ou mal, porque somos culturalmente dependentes do trabalho. E essa nova dependência tem agravantes que não ocorreram em outros países, porque implantaram seus programas de ajustes durante décadas, enquanto, no nosso país, o mesmo programa tem que se tornar real em tempo menor. Acrescente-se a isso a realização das chamadas reformas constitucionais e as exigências dos “lobbies” internacionais.
A globalização da nossa economia, como está sendo conduzida, já apresenta enormes prejuízos ao Bem-Estar social, levando, ainda, em consideração que a dignidade humana deve ser preservada e não reduzida à condição de mercadoria descartável.
O conhecimento científico e a capacitação tecnológica tornaram-se verdadeiras “commodities”. Nenhum país pode pretender ser eficaz no cenário da economia global, sem que possuam os recursos científicos e tecnológicos necessários para manter e gerar inovações.
O que importa não é possuir, apenas, vantagem comparativa como meio para assegurar a soberania do Brasil. É fundamental ingressar na corrida científica-tecnológica, investindo pesadamente em P&D, e se integrar à Era de Tecnologias até então inimagináveis, conscientizando-se que o Brasil está inserido na “Revolução Verde”, que é grande ofertante de minerais raros, tem um dos maiores estoques de água-doce, clima capaz de oferecer várias safras por ano, e mais, participar da metamorfose da “economia de informação” para que seja garantida de forma sustentável a expansão da economia e a ampla difusão dos benefícios deste crescimento entre a população de todo o território nacional. Caso contrário, tornar-se-á sem importância, inexplorado e inexplorável.
É falsa a idéia de que na redefinição das tarefas do ESTADO seria desejável prescindir dele. A questão não é de “menos ESTADO”, melhor aparelhado e descentralizado, de modo a viabilizar a participação institucional da sociedade civil organizada. Este ESTADO deve ter por objetivo eliminar os graves desequilíbrios espaciais e sociais que ainda são essencialmente o problema nacional: direcionar o desenvolvimento; e promover a modernização e a expansão da economia nacional, através de políticas de crescimento e programas estruturantes, de modo a se fortalecer como nação competitiva e dinâmica.
AMAURY CARDOSO
e-mail: amaurycardosopmdb@yahoo.com.br
acesse: www.amaurycardoso.blogspot.com