PONTO DE VISTA.
OS DESAFÍOS DA ZONA OESTE.
É nossa intenção, nesse artigo, procurar oferecer uma pequena contribuição, para o conhecimento da Zona Oeste do município do Rio de Janeiro, seus problemas, suas carências, necessidades e possíveis soluções dentro da atual conjuntura.
Sabemos que a antiga correlação positiva entre o crescimento econômico e oferta de empregos já não é a mesma. Hoje se pode crescer sem empregar, devido ao desenvolvimento tecnológico. A chamada crise mundial também tem sua parcela de responsabilidade pela retração da oferta de empregos e desemprego. A estatística brasileira confirma a percepção geral: a oferta de empregos no país expande-se com vigor apenas na faixa de salários baixos ( até dois salários mínimos), isto é, no setor primário.
A Zona Oeste como não poderia deixar de ser, também sofre as conseqüências do atual momento, sendo no município do Rio de Janeiro a região que é atingida mais duramente, pois sua realidade social ser a mais precária, onde se concentra o contingente populacional de mais baixa renda. Paradoxalmente é a região onde o Rio de Janeiro ainda pode crescer dada a existência de vastas áreas com possibilidade de expansão residencial bem como industrial e comercial. Tradicionalmente uma região de vocação agrícola, tanto que, até décadas atrás era conhecida como zona rural, porem hoje a Zona Oeste mudou radicalmente seu perfil. Consideramos de vital importância a definição de uma agenda para essa região da nossa cidade, e que aumenta de amplitude quando verificamos que ao lado da possibilidade de dinamização econômica, existem importantes problemas de infraestrutura urbana e de situação social. Fomentar o desenvolvimento da cidade do Rio de Janeiro e de suas regiões, em particular da Zona Oeste, passa pela ampliação das reflexões e pesquisas sobre a realidade local e a criação de fóruns, para a integração entre o poder público com entidades empresariais e atores locais existentes na Zona Oeste.
Dados confiáveis levantados por uma pesquisa feita em parceria entre a UFRJ e a FAETC apontam para o fato de que entre o período de 1998 e
Entre 1998 e
Em período mais recente, a cidade e o estado do Rio de Janeiro vêm apresentando um incremento do dinamismo econômico fruto da ampliação de investimentos privados no estado e de investimentos públicos, como os vinculados aos gastos para o Panamericano realizado em 2007 e os mais recentes vinculados ao PAC.
No ano de 2008, por exemplo, o estado do Rio de Janeiro e sua capital apresentaram um crescimento do emprego formal de respectivamente 5,48% e 5,28%, contra um crescimento para o total do país de 5,01%. Na Zona Oeste, da mesma forma, ocorre uma significativa dinamização tendo em vista os investimentos imobiliários ocorridos e investimentos privados, com a obra da TK-CSA e as ampliações da GERDAU e MICHELIN e a chegada de novos empreendimentos nos distritos e zonas industriais de Campo Grande e Palmares.
Neste diagnóstico fica claro que a Zona Oeste vem apresentando um significativo crescimento econômico e populacional e que é a região da cidade com maior densidade industrial, possuindo forte “potencial para o desenvolvimento industrial e tecnológico, ainda que as atividades comerciais sejam bastante relevantes pela ótica do número de estabelecimentos e empregos locais”.
Em síntese, segundo dados do relatório já citado, os principais dados econômicos da Zona Oeste são: comércio 49%; serviços 40%; indústria extrativa e de transformação 7,5%; construção civil 2,4%; agricultura 0,4% e serviços industriais de utilidade pública 0,2%.
Principais atividades empregatícias: serviços 48%; comércio 32%; indústria extrativa e de transformação 17,5%; construção civil 2,1%; serviços industriais de utilidade pública 0,3%; agricultura 0,1%.
Desse modo a região seria um local com atributos interessantes para a instalação de um pólo metal-mecânico em razão da sua expansão industrial e dos macroinvestimentos que vem ocorrendo nos últimos anos. Porem devemos destacar a existência de sérios problemas com relação à qualificação da mão de obra empregada na Zona Oeste, os indicadores sociais, da infraestrutura urbana, da ocupação do uso do solo e da segurança pública. Isso demonstra a necessidade, inadiável, de ampliação da articulação na região entre as grandes empresas e os demais setores da sociedade civil da Zona Oeste visando gerar encadeamentos empresariais, novos empregos e um desenvolvimento sustentável, onde com isso evitaríamos a dicotomia existente entre um crescimento populacional e o pouco dinamismo na criação de novos empregos.
Finalizando, observamos a existência de uma carência de cursos técnicos que contemplem todas as áreas industriais, em expansão nessa região, sendo necessária a criação de cursos técnicos direcionados para o atendimento dessa necessidade.
Em linhas gerais penso serem esses os principais desafios a ser enfrentados pelos nossos representantes, onde a atual gestão em nosso município, em razão da parceria com os governos estadual e federal, tem tudo para avançar colocando-se na vanguarda com ações integradas, o que, por conseguinte, elevaria nosso atual prefeito no alto patamar junto a opinião pública.
Amaury Cardoso.
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